O CAMINHO DOS PROFETAS


A Aliança
A maior demonstração de amor entre duas pessoas ocorre quando elas decidem fazer aliança, isto é, comprometer-se uma com a outra a ponto de cada uma buscar a felicidade da outra. O anel pe símbolo de comprometimento de ambas as partes. Por isso nós costumamos chamar de aliança o anel de casamento. Deus faz Aliança com seu povo e promete buscar sua felicidade. E Deus espera do seu povo fidelidade total. Ao longo da caminhada o povo percebe que o amor de Deus “é forte, como a morte!” E que as águas das dificuldades jamais poderão apaga-lo (ver Ct 8, 6-7).

Porém, o povo falhou muitas vezes. Foi infiel. E, no entanto, Deus permanece sempre o mesmo. Cheio de misericórdia acolhe outra vez o seu povo. O livro do Êxodo nos conta como Deus celebrou essa Aliança com seu povo depois que atravessou o deserto e chegou ao monte Sinai. Aí Deus revelou o seu grande amor (ver Ex 19, 1-8 e 20, 1-21).

Esta palavra “Aliança” recebeu outras traduções, como: “pacto”, “testamento” etc. É São Paulo quem vai chamar as Sagradas Escrituras de “Antigo Testamento” (ver 2Cor 3, 14).

O Código da Aliança mostra as dificuldades enfrentadas pelas tribos, no seu esforço de viverem a justiça (Ex 19-23).


A espiritualidade da Aliança
A Bíblia diz que Deus viu a aflição do seu povo, ouviu seu clamor e desceu para liberta-lo (ver Ex 3,7). Fala também que o Povo da Bíblia atribuía a libertação à luta e a fé de Moisés, Miriam, Aarão e Josué (ver Ex 3, 10-12). A libertação é fruto do amor de Deus, da sua vontade de libertar seu povo. A libertação continua a obra da criação.
“Eu sou Javé, teu Deus”,
que te fez sair do Egito,
da casa da escravidão!” (Ex 20, 2).
Os profetas gostam de recordar este amor de Deus para com seu povo como o amor de um esposo para com sua esposa (ver Os 2, 21-22), ou como mãe carinhosa (Os 11, 3-4) ou como um filho querido (Jr 3, 19). Assim, o Povo da Bíblia vai descobrindo, cada vez mais, quais são os laços que o ligam a Deus e Dizem: “de verdade, Deus nos ama!”. Em vez de aliar-se a poderosos impérios, fazem aliança com o próprio Deus (Jr 32, 38-41). Fazer aliança significa assumir um compromisso de fidelidade total. A espiritualidade da “Aliança” perpassa toda a Bíblia e toda a vida.


O caminho dos profetas
Apesar de entender essas coisas o povo é, muitas vezes, infiel à Aliança. Sobretudo os reis, os chefes do povo, levados por desejos ambiciosos desobedecem à Lei de Deus, introduzem a idolatria, a opressão e a injustiça. Caem no pecado. Correm atrás de outros amores (Os 2, 7. 15; 4, 1-3).

Aí surgem aqueles homens e mulheres corajosos e sábios, muito ligados a Deus e ao povo, chamados profetas. Os profetas criticam sobretudo os reis em nome da Aliança. Eles falam em nome de Deus. Eles defendem o projeto de Deus. Por isso os profetas chamam a atenção dos reis e também do povo quando estes enveredam pelos caminhos do mal. Eles conclamam à conversão, à mudança de vida e de sistema. Eles advertem: se continuarem assim as coisas irão de mal a pior (ver Am 8, 4-8; Jn 1, 2-3; Is 62, 1).

Mas a missão principal dos profetas é manter viva a esperança no coração do povo. Por isso eles não só ameaçam e fazem denúncias contra o abuso do poder ou contra o sistema tributário que destrói a vida do povo. Em tempos difíceis, de grande sofrimento e exploração, são eles que falam de esperança:
“Alegrem-se...”.
Fortaleçam as mãos cansadas,
firmem os joelhos cambaleantes;
digam aos corações desanimados:
‘Sejam fortes! Não tenham medo!’
Vejam o Deus de vocês: ele vem para salvar
vocês”
(ver Is 35, 1-5).
Eles anunciam a misericórdia e a compaixão de Deus. Fazem ver ao povo que Deus é a fonte inesgotável do amor e da justiça. Eles consolam o povo nos momentos duros de aflição (ver Is 40,1 –11; 51, 12; Jl 2, 12-14; Jr 14, 7-9 e em muitas outras passagens).

Eles lêem a historia, o presente, os fatos com outros olhos. Daí provocam uma releitura critica.

A ação dos profetas é a expressão mais pura e profunda da resistência e dos anseios do povo. Por isso o Povo da Bíblia recorda com carinho a memória viva de seus profetas, por exemplo: Hulda (2Rs 22, 14-17), Elias, Oséias, Jeremias, Amós, Ezequiel, João Batista, Ana, JESUS e tantos outros. E, apesar de suas infidelidades, o povo vai descobrindo a pedagogia de Deus que como esposo fiel ama e educa sua esposa para a fidelidade.


A Bíblia e a Vida
Bíblia. Sob este nome se agrupam 46 livros do AT e 27 do NT. Os 46 livros do AT trazem a expressão da Aliança de Deus com Israel seu povo, e os 27 livros do NT, escritos após a vinda de CRISTO, trazem a expressão da Nova Aliança (rever o desenho da biblioteca na p. 12). De fato, a “Bíblia é um livro feito em mutirão”. Todos os escritos que mais tarde vão formar um só livro – a Bíblia – foram antes tradições orais ou escritos que se conservaram no meio das tribos, grupos, ou comunidades de fé judaico-cristãs. É claro que bem antes desses escritos, e ainda hoje, Deus nos fala pela vida. A vida vem antes da Bíblia. Por isso, tanto o Antigo como o Novo Testamento, antes de serem escritos foram vividos e contados pelos pais e mães aos filhos, e de comunidade em comunidade. Diz santo Agostinho: “Deus escreveu um primeiro livro: a natureza. Como o ser humano não conseguiu mais ler os sinais de Deus através da natureza, ele nos deu um segundo livro: a Bíblia”. A Bíblia nos foi dada, então para iluminar, interpretar e dar sentido à vida.


Os mandamentos - caminho da felicidade
Depois de celebrar a Aliança com Deus, o povo acolhe os dez mandamentos, ou seja, as dez palavras. Nessas dez palavras está bem claro o caminho da felicidade. Podemos encontrar esse texto no livro do Êxodo, capítulo 20, versículos de 1 a 17. Os dez mandamentos mostram ao povo que tipo de vida Deus quer daí para a frente. Deus quer vida para seu povo. Vida em abundância e não morte, e este é o projeto de Deus, bem oposto ao projeto do faraó. Deus detesta a opressão e todo o tipo de atitude que provoca a morte. E Jesus, que veio para realizar esse projeto, afirma: “Eu vim para que todos tenham vida” (ver Jô 10,10). Ele mesmo é o projeto do amor de Deus.

Os dez mandamentos são a expressão clara de uma sociedade fraterna e igualitária, aquela sociedade que as tribos tentaram construir na época dos juizes. Os dez mandamentos são o caminho da felicidade. Por isso o Povo da Bíblia os considera como um presente de Deus. O Salmo 119 manifesta o carinho que o povo tem pela Lei de Deus e pede sabedoria e força para não se desviar dela. A lei de Deus é o caminho seguro para viver a Aliança e encontrar a verdadeira liberdade.


Uma nova comunicação
A história do Povo da Bíblia não é diferente da história dos outros povos daquele tempo. A diferença é que os outros povos não descobriram o que Israel descobriu: que Deus caminha com a gente e com a gente faz história. É claro que eles não teriam descoberto isso sem a ajuda de Deus. Foi ele quem tomou a iniciativa de se comunicar e dizer quem ele é: “Eu sou aquele que é. Aquele que é envia você e está com você” (ver Ex 3, 11-15). Essa descoberta se chama REVELAÇÃO. E foi por causa dessa descoberta que o Povo da Bíblia guardou com respeito e amor as “Palavras de Deus” (Jr 15, 16).


A grande comunicação de Deus
O povo vivia nas trevas, oprimido e explorado no meio de grandes agitações políticas. O povo desejava ardentemente um libertador. Alguém que viesse trazer esperança, justiça e paz. Então, “ quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu filho” (ver Gl 4,4). Jesus vem para comunicar o amor. Ele é a grande comunicação de Deus. Ele vem anunciar a Boa Noticia do Reino de Deus e se dirige especialmente aos pequeninos, aos pobres, aos pecadores, àqueles que a sociedade exclui (ver Mt 11, 25; 1Cor 1, 26-29). Jesus é a chave para entender toda a escritura. É a Nova Aliança. É o começo e o fim da história. Por causa de seu compromisso e de sua prática morre numa cruz. Mas Deus Pai o Glorifica ressuscitando-o. Assim, com a vida, Jesus vence a morte.

João Batista, que faz a ligação entre o Antigo e o Novo Testamento, apresenta Jesus dizendo: “Aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. E eu não sou digno nem de tirar-lhe as sandálias”. E quando Jesus é batizado o Pai o apresenta como “Filho Muito amado” (ver Mt 3, 11. 17). As comunidades do Novo Testamento viram em Jesus a realização das promessas de Deus a seu povo e disseram: “ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS!”.


1. Quem vem antes: a Bíblia ou a vida? Qual das duas é a mais importante?
2. Qual é a diferença entre o Povo da Bíblia e os outros povos?
3. Como se chama a descoberta que o povo da Bíblia fez?
4. Qual era o grande desejo do povo?
5. Por que é a grande comunicação do Pai?
6. O que quer dizer: ”Deus fez Aliança com seu povo”?
7. O povo foi infiel à Aliança? E Deus, como se comporta?
8. Quem realiza a Nova Aliança?
9. Quantos são os mandamentos de Deus? Quais são? (ver Ex 20, 1-17)
10. Por que o povo da Bíblia considera a Lei um presente de Deus?
11. Quem são os profetas?
12. Qual é a sua missão? Recorde o nome de alguns profetas.

Em caso de dúvida numa destas perguntas consulte a autora, Ir. Rosana Pulga, fsp.


Oração. Depois deste estudo, o que é que gostaríamos de dizer a Deus numa oração espontânea?

Rezar o Sl 119, 97-117 (em algumas Bíblias e o 118).


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